A Formatura — um ciclo que se fecha dentro de nós.

— por uma mãe em (re)construção 🌿

Ainda estou digerindo o que vivi esta semana.
A formatura dele não foi só uma cerimônia — foi um filme inteiro passando diante dos meus olhos. Quando olho para trás e vejo cada etapa desse caminho, sinto um nó no peito, um misto de alívio, orgulho, dor e amor que só uma mãe consegue entender.

Ele entrou na escola aos dois anos.
Primeiro filho.
Primeira separação.
Primeira insegurança.

Eu queria que ele tivesse voz no mundo — que soubesse se comunicar, se expressar — e, ao mesmo tempo, queria aliviar minha mãe um pouco da responsabilidade diária. Assim, juntas, fizemos a adaptação escolar. Ele chorava, pedia para ligar, e tantas vezes voltava mais cedo para casa. Depois engrenou, e a pré-escola fluiu leve, com apresentações, risadas e dias comuns que, hoje, parecem tesouro.

Então veio a pandemia.
E com ela, aulas online, pré-escola sem formatura, sem encerramento.
Sem ritual de passagem.
Só um vazio silencioso onde deveria haver festa.

No 1º ano, as aulas online continuaram.
Meu Deus, que fase…
Tudo tirava a atenção dele — a borracha, o apontador, o lápis que ele mordia… Eu sentava ao lado dele por horas, tentando segurá-lo no mundo da professora enquanto o corpo dele queria estar em qualquer outro lugar.
Quando as aulas presenciais voltaram, a adaptação foi surpreendentemente tranquila, e assim seguimos.

O 2º ano começou bem, até que, no final de fevereiro, tudo desabou.
Ele chorava para ir à escola, todos os dias.
Diretora, orientadora, tentativas e mais tentativas… nada funcionava.
Foi quando decidi entregar a situação a Deus e pedir uma transferência.
Tudo aconteceu rápido. Na escola nova, outro desafio: ele era o único aluno novo.
Mais choro, mais medo — mas também uma coordenadora pedagógica por quem serei eternamente grata. Ela segurou nossas mãos quando eu já não sabia como segurar a minha.

O 3º ano passou sem grandes acontecimentos.
Eu já estudava, já desconfiava do TDAH, mas a professora não via.
Deixei quieto.
Talvez eu não quisesse ver, ainda.

O 4º ano…
Esse, sim, foi o mais difícil.
Ele se envolveu com uma turma cujos valores e comportamentos eram o oposto dos nossos. E isso nos abalou profundamente.
Meu menino desatento, esquecido e desorganizado — mas sempre gentil — começou a mudar.
Veio desrespeito.
Veio advertência.
Veio queda brusca nas notas.
Veio um filho que eu já não reconhecia.

E todas as semanas: a ligação da escola.
Era exaustivo, doloroso, desesperador.
A professora o decifrou antes de mim: o problema era a companhia.
Eu só pedia sabedoria para atravessar aquela fase sem quebrar a ele, sem quebrar a mim.

O ano finalmente acabou — e com ele, outra mudança.
Mudamos de cidade.
Casa nova, vida nova, escola nova.
Eu morria de medo do impacto… mas me surpreendi.
Ele se adaptou rápido, como se estivesse esperando esse recomeço.

No 5º ano, tudo começou maravilhoso.
Na primeira reunião, o coordenador rasgou elogios a ele — e meu coração se encheu de esperança.
Era como ver meu menino de volta.

Mas, ao longo do ano, percebi uma queda.
Ele entregava menos do que eu sabia que existia dentro dele.
Meu alerta acendeu.
Com as notas baixando, decidimos fazer uma avaliação neuropsicológica para finalmente entender o que ele precisava — e o que eu precisava aprender.

Contei tudo isso para que você entenda o peso dessa formatura.
Não foi sobre o palco, nem o diploma, nem a música linda que tocaram.
Foi sobre sobreviver a um ciclo inteiro de desafios, medos, noites em claro e oração.

Foi sobre as tardes intermináveis fazendo lição juntos.
Sobre estudar para prova lado a lado.
Sobre precisar estar sempre ao lado dele — porque ele não consegue, ainda, caminhar sozinho nessas tarefas.
Foi sobre resistência.
Sobre amor.
Sobre nós dois.

E hoje, olhando para trás, me sinto feliz.
Abençoada.
Orgulhosa.

Porque, entre trancos e barrancos, nós conseguimos.
Chegamos.

Que venha o Fundamental II.
Estamos prontos — talvez não prontos de certezas, mas prontos de coragem.

E isso basta. 💛

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