Quando o Amor Aprende a Caminhar Entre Dois Mundos

— por uma mãe em (re)construção 🌿

Houve uma manhã em que eu estava especialmente fragilizada, tentando entender onde eu estava errando. Tudo o que eu fazia parecia não funcionar. Ou, pior, funcionava ao contrário. Buscava justificativas, me culpava o tempo todo e me sentia a pior mãe do mundo. A maternidade real teimava em se fazer presente, mesmo eu tentando romantizá-la.
Lembro-me de estar chorando enquanto arrumava a casa quando, por acaso, parei diante de uma Educadora Parental falando sobre Educação Positiva. Eu nunca tinha ouvido falar sobre aquilo… e, de repente, parecia que ela estava descrevendo exatamente a minha rotina: as brigas intermináveis, os choros, as birras, os desafios, o desgaste e aquela sensação devastadora de impotência.

Ouvir aquelas palavras me trouxe um fio de esperança. Eu queria acreditar naquele caminho mais leve, com menos confronto e mais conexão. Queria ser a mãe que imaginei que seria — mas que eu não conseguia alcançar diante do temperamento do meu filho e dos desafios que faziam parte dele.

Estudei muito. Busquei informação. E, quanto mais aprendia, mais acreditava que aquele modelo poderia nos ajudar. Venho de uma educação tradicional, e romper padrões não é um processo simples. Entrei nessa jornada com o apoio do meu marido, conheci pessoas incríveis e vi muitas famílias encontrarem sentido e transformação — e isso me enchia de alegria.

Mas preciso ser honesta: aplicar a disciplina positiva com uma criança neurodivergente, impulsiva e hiperativa foi muito mais difícil do que eu imaginava.
Me frustrei. Me questionei. E, por um tempo, deixei de atender como Educadora Parental porque eu me sentia uma fraude. Como orientar outras famílias se eu nem conseguia organizar a minha?
Esse conflito interno fez com que eu me afastasse da profissional que eu estava me tornando. Ainda assim, muito do que aprendi permanece em mim, e continuo acreditando profundamente na importância do respeito, da conexão e do olhar compassivo. Mas também entendi que, com uma criança neurodivergente, nada é “receita pronta”. E tudo bem.

Hoje, encontrei um equilíbrio possível. Sei que posso transitar entre uma abordagem mais tradicional e outra mais positiva, sem carregar culpas exageradas ou o medo constante de causar traumas.
Entendi que faço o meu melhor — e que não posso (nem devo) impedir que meus filhos enfrentem frustrações. Elas também fazem parte do desenvolvimento e contribuem para formar quem eles serão.

O autoconhecimento também transformou muito meu maternar. Entender minha própria neurodivergência, minhas limitações e necessidades me permitiu estar mais inteira e mais lúcida na relação com eles.

Sigo tentando ser a melhor mãe que posso ser a cada dia — alguns dias com 10%, outros com 99%.
Mas em todos os dias com o coração cheio de amor.

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